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Manuel de Almeida

Considerado,por muitos, como um dos últimos fadistas castiços, Manuel de Almeida nasceu em Lisboa, em 1922...

 
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1. Crónica do Encontro de 23-05-2003

A lotação da sala estava completa. Cerca de oitenta pessoas. Aos fiéis tertulianos e às fiéis tertulianas destas jornadas, juntaram-se os amigos, os convidados, formando--se, lenta mas gradualmente, dispersos e heterogéneos, agrupamentos de pessoas agitadas pela felicidade dos reencontros, expectantes pela oportunidade do encontro...

O burburinhos das conversas, a agitação dos abraços e dos beijinhos, dados e retribuídos, a sonoridade branda dos risos e dos sorrisos, a contrastar com o estalar descomprometido das gargalhadas, só abrandaram com o início do jantar. O estômago ditava a sua lei.

Críticas posteriores foram unânimes em apelidar de fraca a gastronomia apresentada e as comparações com os encontros anteriores foram inevitáveis. O mesmo, felizmente, se não disse dos restantes componentes do programa.

Aida Baptista defendeu brilhantemente um dos temas do jantar - " A Reinvenção da Pátria no Fado da Diáspora"" . O seu "olhar crítico e atento de quem viveu 5 anos, de forma muito intensa a diáspora por dentro, a lembrar-nos que, em terras canadianas, na centena de clubes e associações portuguesas existentes na região do Ontário, se canta muito e muito bem o fado." E quem canta o fado nessas terras longínquas não são apenas os que emigraram em idade adulta, assumidos "portadores de um testemunho que se sentem obrigados a transmitir como um prolongamento da Pátria". Gente nova, nascida e criada no Canadá, canta cada vez mais o fado, "bebido nas referências musicais do ambiente familiar."

Fado foi, é, e vai continuar a ser "a voz da nossa inquietação," uma marca identificativa da identidade.

Esta alocução pode ser lida na íntegra na galeria de texto.

Luís Filipe Penedo falou-nos sobre " A guitarra Portuguesa e o Fado. Uma Visão Etnológica". Abordando o tema da Guitarra Portuguesa e do Fado, mais como manifestações étnicas e menos nas suas particularidades musicais, descreveu as suas origens desde a antiguidade, a evolução e os diferentes tipos de Guitarra Portuguesa. Sobre o Fado, apresentou também as suas raízes mais antigas, a sua estrutura tradicional, e a alterações evolutivas modernas, apropriadas a diferentes estilos e interpretações. Realçou o papel dos instrumentos guitarra e viola no acompanhamento do Fado, marcando com singular destaque o papel fulcral da guitarra na afirmação crescente do Fado, como realidade no panorama cultural e como determinante no estar e no sentir da alma portuguesa.

A primeira parte da sessão de fados esteve, como habitualmente, a cargo do grupo de Fados e Guitarradas da Tertúlia, com todos os seus instrumentistas acompanhando as belas vozes de Anabela, Jorge e Vasco no fado de Lisboa, e a do Manel no fado de Coimbra. Cantou ainda, um fado humorístico, o Sr. José Fernando do Clube Sénior.

Depois desta actuação e da ajuda do caldo verde, exibiu-se a Secção de Fados da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Desta vez, a função de mestre de cerimónias coube à Zé Nunes Viana, merecedora de rasgados elogios finais. Como alguém dizia, nesta matéria, a Zé Nunes "deu cartas

Cumprido o programa, soou a corneta carroceira anunciando o fim da jornada. Era a hora da despedida.

Lá fora, o Tejo, repetia murmúrios mansos, insondáveis promessas de amor. Lisboa, de noite vestida , luminosa e divertida, fingia não ouvi-lo...

 


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