Voltar a Índice da Galeria
de Texto 1. Crónica do
Encontro de 23-05-2003
A lotação da sala estava completa. Cerca de oitenta
pessoas. Aos fiéis tertulianos e às fiéis tertulianas
destas jornadas, juntaram-se os amigos, os convidados,
formando--se, lenta mas gradualmente, dispersos
e heterogéneos, agrupamentos de pessoas agitadas
pela felicidade dos reencontros, expectantes pela
oportunidade do encontro...
O burburinhos das conversas, a agitação dos abraços
e dos beijinhos, dados e retribuídos, a sonoridade
branda dos risos e dos sorrisos, a contrastar com
o estalar descomprometido das gargalhadas, só abrandaram
com o início do jantar. O estômago ditava a sua
lei.
Críticas posteriores foram unânimes em apelidar
de fraca a gastronomia apresentada e as comparações
com os encontros anteriores foram inevitáveis. O
mesmo, felizmente, se não disse dos restantes componentes
do programa.
Aida Baptista defendeu brilhantemente um dos temas
do jantar - " A Reinvenção da Pátria no Fado da
Diáspora"" . O seu "olhar crítico e atento de quem
viveu 5 anos, de forma muito intensa a diáspora
por dentro, a lembrar-nos que, em terras canadianas,
na centena de clubes e associações portuguesas existentes
na região do Ontário, se canta muito e muito bem
o fado." E quem canta o fado nessas terras longínquas
não são apenas os que emigraram em idade adulta,
assumidos "portadores de um testemunho que se sentem
obrigados a transmitir como um prolongamento da
Pátria". Gente nova, nascida e criada no Canadá,
canta cada vez mais o fado, "bebido nas referências
musicais do ambiente familiar."
Fado foi, é, e vai continuar a ser "a voz da nossa
inquietação," uma marca identificativa da identidade.
Esta alocução pode ser lida na íntegra na galeria
de texto.
Luís Filipe Penedo falou-nos sobre " A guitarra
Portuguesa e o Fado. Uma Visão Etnológica". Abordando
o tema da Guitarra Portuguesa e do Fado, mais como
manifestações étnicas e menos nas suas particularidades
musicais, descreveu as suas origens desde a antiguidade,
a evolução e os diferentes tipos de Guitarra Portuguesa.
Sobre o Fado, apresentou também as suas raízes mais
antigas, a sua estrutura tradicional, e a alterações
evolutivas modernas, apropriadas a diferentes estilos
e interpretações. Realçou o papel dos instrumentos
guitarra e viola no acompanhamento do Fado, marcando
com singular destaque o papel fulcral da guitarra
na afirmação crescente do Fado, como realidade no
panorama cultural e como determinante no estar e
no sentir da alma portuguesa.
A primeira parte da sessão de fados esteve, como
habitualmente, a cargo do grupo de Fados e Guitarradas
da Tertúlia, com todos os seus instrumentistas acompanhando
as belas vozes de Anabela, Jorge e Vasco no fado
de Lisboa, e a do Manel no fado de Coimbra. Cantou
ainda, um fado humorístico, o Sr. José Fernando
do Clube Sénior.
Depois desta actuação e da ajuda do caldo verde,
exibiu-se a Secção de Fados da Faculdade de Direito
da Universidade de Lisboa.
Desta vez, a função de mestre de cerimónias coube
à Zé Nunes Viana, merecedora de rasgados elogios
finais. Como alguém dizia, nesta matéria, a Zé Nunes
"deu cartas
Cumprido o programa, soou a corneta carroceira anunciando
o fim da jornada. Era a hora da despedida.
Lá fora, o Tejo, repetia murmúrios mansos, insondáveis
promessas de amor. Lisboa, de noite vestida , luminosa
e divertida, fingia não ouvi-lo... |