Voltar a Índice da Galeria
de Texto
1. Crônica de 27 de Setembro –
Em Carcavelos
O grupo de Fados e Guitarradas da Tertúlia
juntou-se em casa do Manel Marques Inácio
e da Bita, em Carcavelos, numa magnífica
tarde de verão tardio.
Foi – digamos assim - a “rentrée”
preparatória das actividades para a nova
época musical.
Apoiados num generoso petisco à base de grelhados,
num quintal acolhedor, sob a protecção
dum belo limoeiro, aconchegaram-se os estômagos
e regaram-se, com pingas de estalo, as gargantas
sedentas de conversas, risos e cantos.
Notícias e novidades foram postas em dia;
gracejos, piadas e anedotas várias intervalaram
variadas conversas e cantou-se, claro. Cantaram-se
os fados abrilhantados em actuações
anteriores, os fados a abrilhantar futuramente,
e cantigas populares portuguesas, latino-americanas
e… se não fora o delicado cumprimento
imposto pelas regras da contenção
e do bom senso, não teríamos terminado,
como terminámos, à uma da madrugada.
Foi uma “tarde-noite” de convívio
inolvidável, semelhante a uma outra passada
em casa do Zé Bernardes, na Ereira. Desejamos
repetir eventos como estes – e fá-lo-emos
certamente - prestando as devidas honras ao convívio,
ao deleite musical e ao embriagador encanto da gastronomia
e da vitivinicultura portuguesas…Como o Manel
muito bem diz: “para dar à língua
e aos dedos contem connosco!”
P.S. Refira-se em nota de rodapé o acontecido
entre dois simpáticos cães presentes:
o Azul um bonito e encorpado Lavrador, levado pelo
Zé Bernardes e o pequeno Bengie do dono da
casa. Deram-se muito bem um com o outro, talvez
bem de mais aos olhos dos seus preocupados donos.
Não terá havido propriamente um caso
de assédio sexual, mas foi notória
a atracção do fogoso Azul pelo delicado
Benjie que procurava, por uma lado, manter o tom
amigável da brincadeira mas, por outro defender
prudentemente o seu património posterior.
Os donos, a bem do decoro, decidiram separá-los.
O Bengie foi recambiado para a varanda do primeiro
andar onde, certamente mais descansado mas não
menos triste, assistiu ao desenrolar do repasto
do “artistas”.
Quanto ao Azul manteve-se connosco, feliz e aparentemente
esquecido da sua anterior fixação.
Excessos de juventude, depreendemos nós.
E, vamos lá, se perdoáveis nos humanos,
porque não nos canídeos?...
Existe documentação fotográfica
ilustrativa dos factos aqui narrados, disponível
para quem pretenda investigar os ínvios caminhos
da sexualidade canina.
|