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Manuel de Almeida

Considerado,por muitos, como um dos últimos fadistas castiços, Manuel de Almeida nasceu em Lisboa, em 1922...

 
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1. Crônica de 27 de Setembro – Em Carcavelos

O grupo de Fados e Guitarradas da Tertúlia juntou-se em casa do Manel Marques Inácio e da Bita, em Carcavelos, numa magnífica tarde de verão tardio.
Foi – digamos assim - a “rentrée” preparatória das actividades para a nova época musical.

Apoiados num generoso petisco à base de grelhados, num quintal acolhedor, sob a protecção dum belo limoeiro, aconchegaram-se os estômagos e regaram-se, com pingas de estalo, as gargantas sedentas de conversas, risos e cantos.
Notícias e novidades foram postas em dia; gracejos, piadas e anedotas várias intervalaram variadas conversas e cantou-se, claro. Cantaram-se os fados abrilhantados em actuações anteriores, os fados a abrilhantar futuramente, e cantigas populares portuguesas, latino-americanas e… se não fora o delicado cumprimento imposto pelas regras da contenção e do bom senso, não teríamos terminado, como terminámos, à uma da madrugada.

Foi uma “tarde-noite” de convívio inolvidável, semelhante a uma outra passada em casa do Zé Bernardes, na Ereira. Desejamos repetir eventos como estes – e fá-lo-emos certamente - prestando as devidas honras ao convívio, ao deleite musical e ao embriagador encanto da gastronomia e da vitivinicultura portuguesas…Como o Manel muito bem diz: “para dar à língua e aos dedos contem connosco!”

P.S. Refira-se em nota de rodapé o acontecido entre dois simpáticos cães presentes: o Azul um bonito e encorpado Lavrador, levado pelo Zé Bernardes e o pequeno Bengie do dono da casa. Deram-se muito bem um com o outro, talvez bem de mais aos olhos dos seus preocupados donos. Não terá havido propriamente um caso de assédio sexual, mas foi notória a atracção do fogoso Azul pelo delicado Benjie que procurava, por uma lado, manter o tom amigável da brincadeira mas, por outro defender prudentemente o seu património posterior. Os donos, a bem do decoro, decidiram separá-los. O Bengie foi recambiado para a varanda do primeiro andar onde, certamente mais descansado mas não menos triste, assistiu ao desenrolar do repasto do “artistas”.

Quanto ao Azul manteve-se connosco, feliz e aparentemente esquecido da sua anterior fixação. Excessos de juventude, depreendemos nós. E, vamos lá, se perdoáveis nos humanos, porque não nos canídeos?...

Existe documentação fotográfica ilustrativa dos factos aqui narrados, disponível para quem pretenda investigar os ínvios caminhos da sexualidade canina.

 


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