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1. Recordar Menano
De todos os cantores da chamada Década
de Oiro da Academia de Coimbra, 1920-30, António
Menano (A.M.) foi, sem dúvida, o que maior
e mais estrondoso sucesso alcançou.
Tal como o seu antecessor, Hilário, fabuloso
cantor boémio, A.M. tornou-se um ídolo
da Academia, contribuindo com uma enorme quota-parte
para o enriquecimento do espírito estudantil
de Coimbra, mistura de arte e romantismo, de sonhos
e de ilusões.
A sua estrela artística desponta em Março
de 1915, quando se estreia, em Aveiro, num sarau
organizado pela Associação Académica
de Coimbra. Torna-se, nesse ano, solista e ensaiador
do naipe de tenores do Orfeão Académico
e cantor titular de fados e canções
nos vários espectáculos então
realizados. Ainda nesse ano, surge a primeira edição
musical com fados da sua autoria: «Os três
mais lindos Fados de Coimbra»
Em 1916, A.M., acompanhado pelas guitarras de Paulo
Sá e de seu irmão Alberto, consagra-se
definitivamente como estrela de primeira grandeza
do meio artístico coimbrão,
Entre 1917-19, A.M. dedica-se menos ao fado e mais
às canções, acompanhado ao
piano. Estas actuações foram gravadas
em discos de 78 rotações e em rolos
para auto-pianos.
Em finais de 1919, certos sectores da sociedade
insurgiram-se contra o fado -venenoso cogumelo (...)
produto originário da viela urbana- e as
serenatas chegaram a ser proibidas. Mas a repressão
teve efeito contrário ao pretendido. O fado
ressurgiu de uma longa letargia e os fados cantados
e gravados por A.M alcançaram êxitos
surpreendentes.
Em 1923, integrado numa digressão académica
a Espanha, A.M. canta na Monumental de Madrid, com
lotação esgotada e a honrosa presença
do rei de Espanha. Sem amplificação
sonora, a sua voz extraordinária encheu a
praça, fascinando a assistência, incansável
nos aplausos e nos pedidos de -encore-.
Em 1924, o sucesso repete-se na digressão
a França.
Médico de profissão, A.M. continuou
ligado à vida artística e académica
de Coimbra, até 1933, altura em que pôs
fim à sua invejável carreira artística.
Mas a sua bela voz ainda se fez admirar muito tempo
depois, em Junho de 1967, quando cantou e encantou,
do alto das escadarias da Sé Velha de Coimbra,
na Serenata Monumental ali levada a efeito. Tinha
então 72 anos.
Dois anos mais tarde, António Menano, rouxinol
do Mondego, não mais soltou o seu harmonioso
trinado.
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