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Manuel de Almeida

Considerado,por muitos, como um dos últimos fadistas castiços, Manuel de Almeida nasceu em Lisboa, em 1922...

 
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1. Recordar Menano

De todos os cantores da chamada Década de Oiro da Academia de Coimbra, 1920-30, António Menano (A.M.) foi, sem dúvida, o que maior e mais estrondoso sucesso alcançou.
Tal como o seu antecessor, Hilário, fabuloso cantor boémio, A.M. tornou-se um ídolo da Academia, contribuindo com uma enorme quota-parte para o enriquecimento do espírito estudantil de Coimbra, mistura de arte e romantismo, de sonhos e de ilusões.
A sua estrela artística desponta em Março de 1915, quando se estreia, em Aveiro, num sarau organizado pela Associação Académica de Coimbra. Torna-se, nesse ano, solista e ensaiador do naipe de tenores do Orfeão Académico e cantor titular de fados e canções nos vários espectáculos então realizados. Ainda nesse ano, surge a primeira edição musical com fados da sua autoria: «Os três mais lindos Fados de Coimbra»
Em 1916, A.M., acompanhado pelas guitarras de Paulo Sá e de seu irmão Alberto, consagra-se definitivamente como estrela de primeira grandeza do meio artístico coimbrão,
Entre 1917-19, A.M. dedica-se menos ao fado e mais às canções, acompanhado ao piano. Estas actuações foram gravadas em discos de 78 rotações e em rolos para auto-pianos.
Em finais de 1919, certos sectores da sociedade insurgiram-se contra o fado -venenoso cogumelo (...) produto originário da viela urbana- e as serenatas chegaram a ser proibidas. Mas a repressão teve efeito contrário ao pretendido. O fado ressurgiu de uma longa letargia e os fados cantados e gravados por A.M alcançaram êxitos surpreendentes.
Em 1923, integrado numa digressão académica a Espanha, A.M. canta na Monumental de Madrid, com lotação esgotada e a honrosa presença do rei de Espanha. Sem amplificação sonora, a sua voz extraordinária encheu a praça, fascinando a assistência, incansável nos aplausos e nos pedidos de -encore-.
Em 1924, o sucesso repete-se na digressão a França.
Médico de profissão, A.M. continuou ligado à vida artística e académica de Coimbra, até 1933, altura em que pôs fim à sua invejável carreira artística.
Mas a sua bela voz ainda se fez admirar muito tempo depois, em Junho de 1967, quando cantou e encantou, do alto das escadarias da Sé Velha de Coimbra, na Serenata Monumental ali levada a efeito. Tinha então 72 anos.
Dois anos mais tarde, António Menano, rouxinol do Mondego, não mais soltou o seu harmonioso trinado.

 


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